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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A QUESTÃO DA ESCOLHA NO AMOR



O Arcano “Os Enamorados” do Tarô Mitológico retrata o Julgamento de Paris. Um jovem que presidindo um concurso de beleza entre três belas deusas escolheu automaticamente aquela que lhe prometeu como presente a mulher mais bela, pois ele era dado a façanhas amorosas. As deusas rejeitadas tramaram a guerra de Troia, onde ele foi morto. O pano de fundo deste arcano é o problema da escolha no amor. Escolher entre dois parceiros amorosos e a pressão do instinto na escolha.

Toda escolha empurra a pessoa a se conhecer melhor. O destino de todo caminho é o mesmo que é fazer a pessoa saber quem ela é, seja este autoconhecimento feito por caminhos suaves ou penosos. Atrás de uma escolha há a questão da identidade. Identidade é saber quem se é e o que se deseja exatamente.

Reconhecer essa identidade antes de se fazer a escolha é a atitude que faz a diferença entre o caminho penoso e o suave, pois nossas decisões são sempre tomadas pelos nossos instintos mais perversos. Em outras palavras, nossas escolhas são feitas pela necessidade e não pela maturidade. Veja como exemplo uma pessoa que vivendo o açoite  da fome esteja diante de uma proposta de emprego de um lado e de um prato de comida do outro e ela decide sem vacilar pelo prato de comida, pois faminta não consegue raciocinar, necessita com urgência “matar” a fome primeiro, porém perdendo a oportunidade do emprego, que poderia lhe dar muitos e todos os pratos de comida.

Toda escolha deve ser vivida na totalidade. No caso, se escolheu o prato de comida, suporte sem lamentar os açoites do emprego. Se escolheu o emprego, aguente os convites sedutores da fome, sem culpas ou arrependimentos. Fazer uma escolha e olhar pela outra que não foi feita é alimentar fantasmas que irão, fatalmente, te atormentar. Voltando à questão do amor, ante uma tomada de decisão, entre parceiros ou mesmo em ficar ou sair de uma relação, exige um esforço em investigar honestamente os conteúdos mais sombrios, que residem no nosso interior, através da busca por respostas para questões do tipo: quem sou? o que desejo com estes parceiros ou nesta relação? Nesta relação: compartilho, me escondo, aprendo, me defendo, amo, sou amado? Ante os parceiros: amor é realidade, fantasia? Confio em mim ou preciso do outro para me auto-afirmar? O meu amor faz alguém feliz? Estou pronto? O amor entre os meus pais me encoraja para uma vida afetiva? Cuido de mim ou necessito ser cuidado por alguém? Desejo me entregar? Sou uma pessoa para amar, para construir? Quero compartilhar o amor ou exercer domínio sobre o outro? Quero trocar afeto ou preencher um vazio?

As respostas definem a verdade pessoal ou a identidade. Com base na verdade pessoal o caminho fica mais suave, caso contrário, a parte que eu preteri mostrará o seu real valor, colocando-me em guerra quanto à decisão que tomei, acarretando arrependimento e culpa e a morte de algo dentro de mim.

Por Silvio, psicanalista
Equipe Alquimísticos

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